Resumo da Introdução
O Tenentismo foi um dos movimentos políticos-militares mais importantes da Primeira República, expressando a insatisfação de jovens oficiais com o sistema oligárquico. Além disso, o movimento denunciava fraudes eleitorais, clientelismo e corrupção institucional. Nesse contexto, as revoltas tenentistas revelaram a crise de legitimidade do regime republicano. Ao longo do artigo, analisamos suas origens, ações e impactos históricos.
Contexto Histórico da Primeira República
A Crise do Modelo Político Oligárquico
A Primeira República consolidou um sistema político dominado por oligarquias regionais, sobretudo as elites agrárias. Esse modelo concentrou poder nas mãos de poucos grupos. Além disso, manteve práticas eleitorais excludentes. Consequentemente, parcelas da sociedade passaram a questionar sua legitimidade.
Entretanto, a ausência de mecanismos de participação política ampliou o distanciamento entre Estado e população. Ademais, a política dos governadores fortaleceu alianças regionais pouco transparentes. Com isso, o sistema tornou-se rígido e pouco responsivo às demandas sociais.
Por outro lado, o crescimento urbano e o surgimento de novas classes médias alteraram o perfil social do país. Assim, aumentaram as pressões por reformas institucionais. Logo, a crise do modelo oligárquico tornou-se visível.
Transformações Sociais e Novas Expectativas Políticas
O avanço da urbanização promoveu mudanças no cotidiano social e econômico. Além disso, o surgimento de novos grupos profissionais ampliou expectativas de mobilidade social. Portanto, a política tradicional passou a ser vista como obsoleta.
Nesse cenário, jovens oficiais do Exército sentiram-se excluídos do jogo político. Ademais, muitos possuíam formação técnica e valores meritocráticos. Por isso, passaram a criticar a estrutura clientelista vigente.
Consequentemente, o ambiente era propício ao surgimento de movimentos reformistas. Assim, o Tenentismo emergiu como expressão desse descontentamento coletivo.
O Tenentismo: Origens, Ideias e Lideranças
Quem eram os Tenentes
Os tenentes eram jovens oficiais do Exército, geralmente oriundos das classes médias urbanas. Além disso, haviam recebido formação em academias militares. Desse modo, valorizavam disciplina, mérito e organização.
Entretanto, enfrentavam limitações na ascensão profissional devido a interferências políticas. Ademais, percebiam o predomínio de práticas patrimonialistas no Estado. Por isso, passaram a defender mudanças institucionais.
Assim, o Tenentismo expressou um projeto de reforma moral e política. Logo, suas ações ganharam visibilidade nacional.
Ideias Centrais do Movimento
O Tenentismo defendia o voto secreto, o combate à corrupção e a centralização administrativa. Além disso, propunha maior presença do Estado na promoção do desenvolvimento.
Por outro lado, o movimento possuía caráter heterogêneo. Alguns integrantes defendiam reformas graduais. Outros, entretanto, apoiavam ações armadas como meio de transformação política.
Consequentemente, o Tenentismo não constituiu um partido formal. Ainda assim, exerceu forte influência simbólica na crise republicana.
Lideranças e Articulações
Entre as lideranças, destacaram-se oficiais que posteriormente ocupariam papéis centrais na política nacional. Ademais, suas trajetórias revelam a transição entre o mundo militar e a arena política.
Nesse contexto, nomes como Luís Carlos Prestes e Eduardo Gomes ganharam projeção. Além disso, Juarez Távora articulou alianças regionais importantes.
Portanto, as lideranças tenentistas contribuíram para difundir as pautas reformistas em diferentes regiões do país.

Os tenentes após deixarem o Forte de Copacabana em 6 de julho de 1922
As principais Revoltas Tenentistas
A Revolta dos 18 do Forte (1922)
A Revolta dos 18 do Forte ocorreu no Rio de Janeiro e simbolizou a primeira grande ação tenentista. Além disso, revelou a insatisfação com a eleição presidencial contestada.
Apesar do fracasso militar, o episódio ganhou repercussão nacional. Consequentemente, tornou-se um marco simbólico do Tenentismo. Ademais, reforçou a imagem de sacrifício e idealismo dos jovens oficiais.
Assim, a revolta inaugurou uma série de confrontos contra o regime oligárquico.
A Revolta Paulista de 1924
Em 1924, a cidade de São Paulo tornou-se palco de intensa insurreição armada. Além disso, o movimento contou com apoio de setores civis descontentes.
Embora reprimida, a revolta expôs fragilidades do Estado republicano. Ademais, revelou a capacidade de mobilização do Tenentismo em centros urbanos.
Por isso, o episódio ampliou o alcance nacional do movimento.
A Coluna Prestes
A Coluna Prestes percorreu milhares de quilômetros pelo interior do Brasil, difundindo críticas ao regime. Além disso, buscou mobilizar populações locais.
Apesar de não ter derrubado o governo, a marcha revelou a dimensão nacional da crise política. Ademais, consolidou a liderança de Prestes como símbolo de resistência.
Consequentemente, a Coluna Prestes tornou-se um dos episódios mais emblemáticos do Tenentismo.

Comando da Coluna. Luís Carlos Prestes é o terceiro sentado, da esquerda para a direita
O Tenentismo e a Crise da Legitimidade Republicana
Questionamento das Instituições
As revoltas tenentistas evidenciaram o descrédito nas instituições republicanas. Além disso, denunciaram práticas eleitorais fraudulentas.
Nesse sentido, o Tenentismo expôs limites do federalismo oligárquico. Ademais, defendeu reformas estruturais no sistema político.
Assim, o movimento contribuiu para deslegitimar a ordem vigente.
Impactos no Exército e na Política
O envolvimento de jovens oficiais ampliou a politização das Forças Armadas. Além disso, fortaleceu a percepção do Exército como ator político.
Por outro lado, essa participação gerou tensões internas. Consequentemente, debates sobre o papel militar na política tornaram-se recorrentes.
Ainda assim, o Tenentismo deixou marcas duradouras na cultura política brasileira.
O Legado do Tenentismo para a Revolução de 1930
Conexões com a Queda da Primeira República
As pautas tenentistas influenciaram setores que apoiaram a Revolução de 1930. Além disso, muitos ex-tenentes integraram o novo governo.
Nesse contexto, a crítica ao sistema oligárquico convergiu com demandas regionais. Consequentemente, a ruptura de 1930 foi facilitada pelo desgaste institucional prévio.
Assim, o Tenentismo funcionou como catalisador da mudança política.
Do movimento Militar à Política Nacional
Após 1930, diversos tenentistas ocuparam cargos administrativos e políticos. Além disso, participaram de projetos de modernização do Estado.
Entretanto, nem todas as promessas reformistas foram plenamente cumpridas. Ainda assim, o movimento marcou a transição para uma nova etapa da República.
Portanto, o Tenentismo teve papel decisivo na redefinição do cenário político nacional.
Conclusão
O Tenentismo expressou, de forma dramática, a crise de legitimidade da Primeira República e o esgotamento do modelo oligárquico. Ao articular revoltas militares e críticas institucionais, o movimento revelou novas expectativas políticas e sociais. Além disso, contribuiu para preparar o terreno da Revolução de 1930 e para a redefinição do papel do Estado. Se você gostou deste conteúdo, compartilhe o artigo, deixe seu comentário e acompanhe o blog para mais análises sobre a história política do Brasil.
Sugestões de links internos e externos
- Links internos:
- Links externos:
- Biblioteca Nacional Digital (acervos sobre revoltas tenentistas)
- CPDOC/FGV (documentos e biografias de líderes do movimento)
Fontes Bibliográficas
- PRADO JÚNIOR, Caio. Formação do Brasil Contemporâneo.
- FAORO, Raymundo. Os Donos do Poder
- CALMON, Pedro. História do Brasil.
- FAUSTO, Boris. História do Brasil – Editora Edusp, 2024.
